O lado difícil de ser mãe nos EUA

Hoje vou contar pra vocês o lado difícil de ser mãe nos EUA

Ser mãe em qualquer lugar possui vantagens e desvantagens, né? Por um lado, eu estou extremamente feliz de estar aqui com a Lucia. Eu penso que ela vai ter mais oportunidades e que a vida vai ser mais generosa com ela nos EUA. A qualidade de vida que ela tem aqui é incrivelmente superior à que ela teria no Brasil: segurança, educação, uma economia mais estável.

Mas estar longe tem o seu lado complicado. Nós não temos a família por perto pra ajudar em diversos aspectos. Acredito que muitas mamães que tenham mudado pra qualquer local longe se sintam da mesma maneira: a gente não tem aquele momento de deixar o filhote ou a filhota com a vovó por um momento pra descansar, a gente se vira da maneira que pode pra ter um momento de lazer.

Eu e Tom temos muita, mas MUITA SORTE MESMO porque a Lucia é uma princesa e adora estar na rua. Ela vai com a gente a restaurantes, bares e todo tipo de local. Ela simplesmente fica super à vontade e não reclama de sair. Parece papo de mãe coruja, mas todos os nossos amigos a elogiam e falam o quanto querem ter um filho assim quando tiverem um. Lógico que fica mais fácil sair com os amigos que já têm filhos, porque aí as crianças brincam juntas, e geralmente as casas deles são mais preparadas para crianças.


Lucia no bar de veteranos de guerra com a aunt Tammie, em Chicago Heights


Com nossos amigos Carol e Brian

Por outro lado, nós raramente saímos sozinhos. Não que eu esteja reclamando, gente, pelo amor de Deus. Eu AMO sair com minha filha e estar com ela. Mas tem hora que acho que todo mundo entende o quanto faz falta ter um pouco de vida de adulto. Por exemplo: eu não vou ao cinema há mais de 1 ano. O último filme que vi foi a nova versão de “O Pequeno Príncipe” quando eu ainda morava no Brasil, e olha que vai fazer 1 ano que mudei aqui pros EUA!

Quando a minha mãe veio aqui para o aniversário da Lucia, eu e Tom conseguimos pelo menos ir na rua resolver algumas coisas mais rápido, como ir ao supermercado. Não exploramos minha mãe, mas pelo menos tinha uma pessoa confiável pra cuidar dela um tempinho pra gente resolver algumas coisas.

Outra questão de ser mãe aqui nos EUA é ter que colocar milhões de camadas de roupa por causa do frio. Pra sair de casa, a gente tem que começar a se arrumar umas 2h antes. Mesmo que o trânsito aqui seja maravilhoso, somos 3 pessoas pra tomar banho, nos arrumarmos e colocarmos um monte de roupa. Isso quando ela não nos presenteia com uma “surpresa” minutos antes da gente sair de casa.

Por último, o idioma. Eu faço questão de ensinar o Português pra Lucia e tenho todo um material pra que ela aprenda o nosso idioma. Isso faz com que a fala dela acabe se atrasando um pouquinho. Isso é muito comum entre crianças bilíngues, porque o cérebro delas está aprendendo em dois idiomas diferentes. Em compensação, estudos já comprovaram que o cérebro das crianças bilíngues se desenvolve muito mais do que o de crianças monolíngues, então vamos continuar nessa batalha.

Eu fiz um vídeo mostrando como ensino o Português como Língua de Herança pra Lucia aqui nos EUA. Deem uma olhada:

No geral, está sendo uma delícia ser mãe aqui nos EUA. Claro que às vezes bate aquela saudade de casa, mas acho que ela está crescendo uma criança feliz. Como é ser mãe onde vocês moram? Contem pra mim!

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